Txim, txim, txim, pó, pó, pó, pó: 100 anos de Jazz em Portugal

Exposição e Lançamento do Livro: Txim, txim, txim, pó, pó, pó, pó: 100 anos de Jazz em Portugal

Comissariada por João Moreira dos Santos, a exposição conta a história de um género musical cujos primeiros ecos chegaram ao País em 1916/17 e que se cruzou com grandes figuras da cultura nacional. Destacaram-se Ferreira de Castro, Almada Negreiros, Stuart Carvalhais, Cottinelli Telmo, António Ferro, António Lopes Ribeiro e Fernando Curado Ribeiro.

A exposição está repleta de novidades, sendo alimentada pela investigação que João Moreira dos Santos vem realizando há cerca de 20 anos, da qual já resultaram sete livros sobre a história do Jazz em Portugal.

São exibidos:
1) fotografias desconhecidas, como a de Duke Ellington com Eusébio, em 1966;
2) documentos inéditos sobre a relação do Estado Novo com o Jazz;
3) excertos da presença do Jazz em filmes portugueses dos anos 1920 e 1930 –Fátima Milagrosa (1928), de Rino Lupo, e A Castelã das Berlengas (1930), de António Leitão;
4) o primeiro disco de jazz gravado por músicos portugueses (1957);
5) um desconhecido disco de 1929 que contém uma peça dedicada ao Jazz;
6) a gravação inédita de uma jam-sessions dos anos 1950 efectuada na Faculdade de Ciências de Lisboa;
7) a primeira definição de Jazz publicada num jornal português (A Capital, 1919);
8) as baquetas que o baterista Jimmy Cobb (presente no icónico disco Kind of Blue, de Miles Davis) usou na última edição do Cascais Jazz.

Estruturalmente, a mostra integra 11 núcleos:
1) os primeiros ecos do Jazz;
2) a “hora preta”;
3) imprensa e online;
4) rádio e televisão;
5) concertos e festivais;
6) clubes nocturnos e clubes de Jazz;
7) músicos e formação;
8) discos, discotecas e editoras;
9) produtores;
10) Jam-sessions;
11) fotógrafos.

Segundo João Moreira dos Santos, “esta exposição surge num período em que o Jazz não só tem uma popularidade inédita em Portugal como é tocado por três gerações de músicos, nomeadamente jovens extraordinariamente dotados e admirados internacionalmente”.

Os primeiros ecos do Jazz em Portugal
Em Março de 1917, a Original Dixieland Jazz Band entrou em estúdio para gravar aquele que é considerado o primeiro disco de Jazz. Nesse mesmo ano, em Portugal, o professor de dança Magalhães Pedroso – em entrevista ao jornal A Capital – referia-se ao ragtime, género musical de que o Jazz foi herdeiro. O mesmo tinha feito, um ano antes, o jornalista e diplomata Alfredo de Mesquita (1871-1931) no livro A América do Norte.
O acolhimento do chamado “som da surpresa” não foi, contudo, pacífico em Portugal, sobretudo entre as elites. Em 1928, Mário Azenha viu nele “o triunfo dos negros ou a escarumbocracia” e o cronista Fernando Pamplona declarou na revista ABC que chegara a “hora preta”, termo que utilizou para enquadrar a emergência de um género musical em que sentia “a voz das árvores e dos macacos, a voz ébria, ruidosa, do sertão”. Não foi, porém, original.
Em 1924 já o escritor Ferreira de Castro olhara para o Jazz como uma “música de selvagens, donde se levitam gritos de desbravadores de selvas, onde há mãos que rufam tambores como nos batuques africanos, mãos negras que tangem peles de veado distendidas sobre troncos ocos”. Alves Martins afirmou nesse mesmo ano que “o «jazz-band», estou em crê-lo, é uma invenção americana […] destinada a dar cabo deste velho e cansadíssimo mundo europeu. E enquanto eles, americanos, loiros, fortes e meninos, resistem à sua criação – nós, europeus, cansados, velhos, libidinosos, sucumbimos à demasiada exibição dos seus acordes infernais”.

 

Horário da Exposição:
Brevemente

 

 

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