CINEJAZZ - FIM DE SEMANA NO ASCENSOR

Às 21:30

Ascenseur pour L'échafaud
Fim de Semana no Ascenso
 

de Louis Malle
com
Maurice Ronet, Jeanne Moreau, Jean Wall
Música: Miles Davis

França, 1958 - 84 min

legendado em português | M/12

Depois das colaborações com Cousteau, ASCENSEUR POUR L’ÉCHAFAUD foi a estreia de Louis Malle na longa-metragem de ficção. Início coroado de sucesso, a que não faltou a atribuição do Prémio Louis Delluc. Através de uma intriga policial desenvolvida em ambientes “à americana” (para o que muito contribui a música de Miles Davis), Malle deixava aqui a certeza de que o “novo cinema” estava prestes a chegar.

O Caldas nice Jazz ao apresentar este filme pretende realçar a importância que muitos musicos de jazz tiveram na construção de um imaginário  cinematográfico em que sonoridades de grandes mestres incorporaram magistralmente nalgumas peliculas que marcam a história do cinema e da música.

Filmado na cidade de Paris, em edifícios modernistas como os da Rue de Courcelles, nos Champs Elysées e na Pont de Bir-Hakeim, ou nos interiores do Café le Cézanne, foi produzido por Jean Thuillier. Realizado por Louis Malle, que assina o argumento com Roger Nimier a partir do romance de Noël Calef, tem fotografia do grande Henri Decaë. Banda sonora do genial Miles Davis. Nas principais interpretações, Maurice Ronet, Jean Wall e a futura estrela Jeanne Moreau.

Quando vagueia pela noite dos Champs-Elysées, avistam-se os primeiros sinais de uma mudança. Florence procura o amante Tavernier, uma pergunta permanece sem resposta: o crime combinado realizou-se ou Florence foi abandonada? Longe estão o orgulho e a paixão da mulher moderna e independente do romance de Noël Calef. Em seu lugar, um olhar assombrado, uma ansiedade sensual que a câmara monocromática de Henri Decaë captura nas ruas e no brilho das vitrines, acompanhada pela melancolia improvisada da música de Miles Davis. No estilo thriller melodramático a preto e branco, como um noir de Hollywood, o realizador rompe tradições, filma com luz natural e uma câmara móvel.

“O prenúncio de um novo cinema que estava prestes a chegar” Cinemateca Portuguesa

Um clássico moderno do cinema francês e uma histórica banda sonora americana numa época de experimentações e novas sínteses. Logo a seguir viriam “Os 400 Golpes” de François Truffaut, “O Acossado” de Jean-Luc Godard e “Hiroshima, Meu Amor”, de Alain Resnais.

Anos antes de “Fim de Semana no Ascensor”, Louis Malle assistiu Robert Bresson no fabuloso “Fugiu um Condenado à Morte”. Mais tarde recebeu um convite do famoso explorador dos oceanos, Jacques Cousteau. Queria fazer um filme que pudesse ilustrar o seu livro imensamente popular “Le Monde du Silence”, precisava de ajuda. O filme superou o livro, em popularidade e prémios, conquistando o Óscar de Melhor Documentário e a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1956. O mundo submarino captado pela lente de Malle é de tirar o fôlego.

“está ali todo, com todas as suas qualidades e todos os seus defeitos, no seu primeiro filme.” François Truffaut

Esta citação é dos anos 60, quando a carreira do jovem francês estava ainda no início mas era já composta por variada filmografia. “Viva Maria!”, uma comédia de acção histórica com Jeanne Moreau e uma outra estrela da “nouvelle vague” Brigitte Bardot, também protagonista num filme anterior, “Vie Privée” com Marcello Mastroianni, ou “Les Amants”, a história de uma burguesa de província que nunca mendiga a compaixão do espectador, escapa para Paris, encontra um novo amante, satisfação e alento num filme polémico pelas ousadias na figuração do sexo e do prazer feminino. A heroína? Jeanne Moreau e a sua aura de erotismo e mistério, dimensões exploradas por outros cineastas como Luis Buñuel em “Diário de uma Criada de Quarto”.

“...em boa verdade, estamos perante uma “inversão” da clássica investigação “quem, como, onde?”. Afinal, desde o começo temos a chave do mistério: o verdadeiro tema é a resistência dos laços amorosos no interior de uma tão conturbada conjuntura moral.” João Lopes

“Fim de semana no ascensor” é um caldeirão de influências, do mestre Hitchcock a Henri-Georges Clouzot. Como em “Les Diaboliques”, há uma conspiração para matar. Embora os elementos narrativos apontem para uma tensão permanente, o filme desvia-se para o fatalismo, sem ironias.

A estreia de Malle na longa-metragem de ficção foi um sucesso, a que não faltou a atribuição do Prémio Louis Delluc. Uma intriga policial pontuada a melodrama, ao som do sombrio e solitário trompete silenciado de Miles Davis, que contorna como uma sombra a noite misteriosa e sensual de Florence Carala.

 

.


Espetáculo para maiores de 6 anos